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20 décembre, 2006

avanços politicos no Brasil

Então o Salário Mínimo vai para R$380? Ótimo! O país precisa disso e o Lula foi sensível às demandas da sociedade. Eu preferiria os R$420, mas vá lá.

E também por pressão da sociedade os picaretas federais do planalto não vão ter os reajustes absurdos e escandalosos? Parabéns para a sociedade brasileira que soube gritar!
Os brasileiros, que têm sido tão complacentes com estes congressistas (bandidos em sua maioria), resolveram pressionar mais agora? Muito Bom!

Pequenos avanços, mas necessários.

12 décembre, 2006

desenvolvimento e meio-ambiente

Tenta-se fritar a Ministra Marina Silva, do Meio-ambiente: preciso tecer uns comentarios.
Do desempenho dessa ministra:
  1. Essa mulher tem sido, a meu ver, o melhor quadro petista do governo Lula nos ministérios. Alguém tem outros nomes dignos de elogio no governo que são petistas?
  2. Na comparação geral dos Ministérios ela tem feito um dos melhores trabalhos.
Por que estão tentando derrubar a mulher?
  1. Para os corruptos petistas:
    1. ela deve ter fechado as torneiras do dinheiro publico.
    2. ela tem exigido competência no seu Ministério.
    3. como a grande maioria dos seus partidarios são diretamente afetados pelas duas medidas anteriores, seu cacique interno vai mal.
  2. Para os desenvolvimentistas: ela exige que os projetos de impactos ambientais sejam bem feitos, coerentes e consequentes;
    1. como boa parte desses projetos são 'pra inglês ver';
    2. como muitos dos projetos bem feitos custam caro (projeto e execussão)
    3. como boa parte dos trabalhos se encaixam nas duas categorias anteriores, seus 'donos' se tornam, portanto, inimigos da ministra.
Não desconsidero que existam certamente outros casos, ou que existam incompetências internas do ministério para liberar algumas licenças ambientais, mas isso não me parece o mais relevante agora.
Entrevistado por um reporter petulante e insistente da Folha, ela respondeu: "Eu perco o pescoço, mas não perco o juízo"
Certamente a continuidade do seu trabalho à frente do ministério depende do entendimento do Lula, e vamos saber a resposta daqui a pouco.

aparelhamento petista no BB

Caiu o presidente do Banco do Brasil (Rossano Maranhão) e os petistas se alvoroçam para conseguir o posto.
Convido meus amigos que são petistas a procurarem saber a respeito do que tem se passado no BB e conhecer um pouco do aparelhamento petista.
Sem entrar em detalhes, mas apenas para aguçar a curiosidade:
  • Maranhão obteve êxitos em tirar de inicio os petistas Edson Monteiro e Liuz Franco Abreu de duas vice-presidências. Outros expurgos petistas em altos postos nessa sua gestao de dois anos no banco:
  • o tal de Henrique Pizzolato também caiu. é o bandido responsavel pela compra (com dinheiro do BB) de ingressos (à preços absurdos) para show sertanejo 'beneficente' para construçao da sede do PT. Apesar disso, esse bandido so perdeu seu posto BB quando foi comprovado seu envolvimento no repasse de dinheiro (do BB) para o esquema bandido do Marcos Valério, que pagava boa parte das contas sujas do PT.
  • Outro dos bandidos petistas no BB, um tal de José Luis de Cerqueira César caiu da subsidiaria Cobra quando veio a publico suas maracutaias para roubo de dinheiro do banco.
  • Outra figura, um tal de Expedito Veloso que ocupava a diretoria da area de risco, caiu recentemente quando ficou comprovado sua participaçao na compra do dossiê contra Tucanos.
  • Infelizmente o Rossano Maranhão não tornou publico os resultados das investigações e auditorias incriminando esses petitas. Sinal de que perturbaria as instituições (PT, BB, governo Lula...).
Pelo ja publicado a respeito, não resta muita duvida que a saida do Rossano Maranhão do BB é por não ter conseguido expurgar suficientemente a turma petista de la, apesar de ter obtido sucesso quanto aos nomes acima.

Acho incrivel o banco sobreviver bem estando tão parasitado, mas enfim, é o modo petista de administrar.

17 novembre, 2006

mapa da violência 2006 e os mineiros

Alguns números do Mapa da Violência 2006 comentado no post anterior são chocantes (em número de óbitos por 100.000 habitantes no ano de 2004):
  • a taxa de homicídios de jovens em Recife é de 223,6 mortos / 100.000 hab.
  • a taxa de óbitos de jovens em transportes de Goiânia é de 56,3
Na comparação entre os anos de 2004 e 1994, Minas Gerais apresentou uma das piores evoluções:
  • passou de 24° para 12° pior estado na taxa de homicídios de jovens
  • Belo Horizonte passou de 23° para 4° entre as piores capitais em homicídios de jovens, chegando a 152,8 assassinatos!
  • a região metropolitana de Belo Horizonte passou de 19,9 para 130,3 assassinatos de jovens!!
Os dados de Minas Gerais mostram que a violência lá cresceu de forma impressionante: passou de um dos estados menos violentos para um dos mais violentos do Brasil em uma década, tanto no quesito assassinatos quanto em acidentes em transportes. Fica aqui um alerta para os meus conterrâneos: dada a aceleração da violência em Minas, vocês têm um dos casos mais críticos a cuidarem! Que o façam antes que a barbárie tome conta do estado!

mapa da violência 2006 e os brasileiros

Saiu ontem o relatório "Mapa da violência 2006" da OEI.
Faz tempo que não comento aqui este assunto que tanto me encomoda nos brasileiros, como andei fazendo em textos sobre terrorismo em SP, cultura da violência, plebiscito do desarmamento e referendo do desarmamento e espancamento de ciclistas. Agora, com os dados desse relatório, volto ao tema.
Focado nas causas externas das mortes (homicídios, acidentes de transportes e suicídios), o relatório mostra que são essas as causas 60,4% da mortes de jovens brasileiros.
Acidentes de transportes são responsáveis por 17,1% das mortes de jovens;
Assassinatos são a causa de 39,7% das mortes de jovens.
Dos 65 paises comparados, o Brasil é o campeão de mortes de jovens por armas de fogo.
Os dados deste Mapa provam o efeito do Estatudo e da Campanha do Desarmamento, duas iniciativas ocorridas em 2003 e que reduziram de até 13,3% o numero de mortes por armas de fogo no ano de 2004. Essas iniciativas contavam ainda com o fim da venda de armas e munições para se obter melhores resultados, o que foi negado pelos brasileiros.
O plebiscito do desarmamento (que aconteceu em 2005) foi um fiasco político extremamente mal conduzido e uma grande perda para o país, onde os brasileiros elegeram o 'direito' de terem armas de fogo. Foi também mais um indício da cultura da violência fortemente enraizada nos meus conterrâneos. Este Mapa da Violência de 2006 prova o grande erro que foi esta escolha do 'direito' de ter uma arma: o Brasil é o campeão de homicidios jovens por armas de fogo (43,1 mortes /100.000 habitantes); mais de 100 pessoas mortas por dia no país com arma de fogo.

Copio parte da conclusão do trabalho, que ilustra bem minha opnião a respeito da violência brasileira:
"A incidência crescente de todas essas formas de violência, que torna os jovens ao mesmo tempo vítimas e algozes, exige do conjunto da sociedade uma análise mais aprofundada e uma atitude mais objetiva e responsável, se houver realmente a preocupação em reduzir essa violência na sociedade.
A violência também encontra campo fértil na apatia, na falta de projeto de futuro, na ausência de perspectivas, na quebra dos valores de tolerância e solidariedade, fatos esses que fazem parte da crise de significados da modernidade. Os impasses da sociedade geram diversas formas de culto à violência como alternativas de solução para os problemas imediatos, adquirindo novas formas e novos conteúdos, sob o aspecto de violência gratuita. Essa crise de significados leva a uma situação de asfixia, em que os jovens não vêem a saída da situação nem mecanismos de articulação (movimentos políticos, sociais ou culturais) que funcionem como unificadores. O novo caráter da violência está na intensidade, na própria violência de questões sem saída, estimulando comportamentos violentos e um retorno à barbárie."

30 octobre, 2006

eleições 2006

Algumas horas depois de fechadas as urnas, já está tudo apurado. Felicitações aos meus conterrâneos pela democracia e eficiência eleitoral!
É satisfatório ver que Roseana Sarney perdeu no Maranhão, e com isso termina 40 anos Sarneys naquele Estado! Seu pai quase perdera no Amapá. Sinal de que a coisa melhora no pais. Curioso ver que, mesmo tendo todo poder local, foram derrotados: com o controle das mídias (jornais, radios e TVs), com todo o dinheiro e com a influência do neo-amigo Lula, perderam! Parabéns aos maranhenses!
É satisfatório ver que os gaúchos elegeram uma mulher governadora! E ela nem é gaúcha! Hahaha! Esses gaúchos não são mais os mesmos... Melhor: A Yeda Crusius derrotou a oligarquia petista local!
Em excelente artigo na Folha de hoje (aqui), Jose Arthur Giannotti diz que teme que estas eleições tenham servido para piorar a crise politica atual, em vez de resolvê-la: O petismo se elegeu brandindo duas bandeiras:
  1. a corrupção é da politica, e eles são corruptos como os outros politicos; - grande falacia petista, onde só faltou eles completarem sua ideologia dizendo que são tão corruptos como todos os brasileiros!
  2. anti-privatização; - faltou dizerem que é porque querem as estatais para uso próprio: empregos fartos para os 'companheiros' e principal fonte de dinheiro sujo para alimentar a máquina petista. (as interpretações são minhas)
Apesar de concordar com o Giannotti, me permito um grande otimismo:
O Lula tem agora todas as melhores chances de mostrar a que veio: sem ter nenhum grande problema a resolver, tendo (espera-se) depurado os 'companheiros' íntimos 'aloprados' irresponsáveis e incompetentes, tendo a possibilidade de fazer alianças políticas razoáveis com todos os governadores, tendo a clareza e razoável consenso dos brasileiros pensantes quanto ao que precisa ser feito para a melhoria do país, e dada a atual estabilidade política e econômica, basta escolher minimamente bem o seu time que o jogo estará ganho daqui a 4 anos! Fica aqui o meu voto de que o Lula, e o país, avancem muito nesses próximos anos!

27 octobre, 2006

carta ao presidente eleito

Ainda na Folha de hoje, o Troster, ex-presidente da Febraban, envia uma carta ao futuro presidente do Brasil (aqui), com recomendações para que tenhamos um futuro melhor.
Apesar das considerações corporativistas (eliminar impostos sobre o crédido e o recolhimento compulsório), outras opiniões são curiosas para um finacista, como a ênfase no crescimento e em melhorias sociais generalisadas.
Como dito, sem redução da Selic e acabando com os depósitos compulsórios, imagino que a festa dos bancos seria muito maior que hoje...
Seria isso uma bondade com uma grande maldade embutida? Ou seria uma auto-exibição para um governo petista que precisa substituir alguns dos seus péssimos quadros para o segundo mandato? Ambas?
As recomendações do economista são amplas e superficiais, mas fomentar essa discussão agora é necessário para que o país saia da letargia em que se encontra.

um pouco da necessária política

Tenho evitado postar comentarios políticos aqui e travado discussões com alguns amigos por email, mas agora vai um pouco:
No ponto em que estamos, o petista Lula deve vencer a eleição domingo, o que é, na minha opnião, lastimável. Acho o Geraldo, candidado do PSDB, fraco - foi o boi de piranha enviado para o sacrifício provável - mas, apesar de não ser um dos melhores quadros do PSDB, minha espectativa é de que ele fizesse um governo muito superior ao do Lula. O Brasil perdeu a grande oportunidade de ter o Serra presidente em 2003, e agora parece escolher o pior novamente. Paciência, somos democráticos.
As especulações sobre as causas da situação eleitoral que temos hoje têm aparecido bastante na mídia, e com conteúdo bem variado. Hoje uma editorialista da Folha aparece com uma analise curiosa aqui, fazendo um paralelo entre as causas da virada espetacular do Clinton em 1992 nos EUA com as causas do fraco desempenho do Geraldo agora no Brasil. O Clinton e equipe soube ram jogar bem; o Geraldo e o PSDB, ao contrario, jogaram muito mal, a ponto de perder para o traste Lula.
Enfim, domingo será um prazer votar no fraco Geraldo!

31 juillet, 2006

mobilidade social brasileira

R$ 254 milhões, é a 'ajuda' dada pelo ministro das comunicações Hélio Costa a um amigo seu, com dinheiro do governo brasileiro!
Que facil esse dinheiro! Bastou para isso o fulano processar a Telebras.
Maiores detalhes estao na Istoé, Folha, etc., inclusive com as explicações absurdas dos envolvidos.

Assim (também) caminha a corrupção no governo petista!

E foi exatamente este ministro o responsavel pela pasta quando da escolha do padrão japonês de TV digital para o Brasil. Fico me perguntando: qual tera sido a conta a ser paga neste caso?
obs: o tal de Hélio Costa é um politico de ultima categoria do meu estado (MG) pelo PMDB.

20 juillet, 2006

(in)justiça brasileira

leio no folha on line que uma desembargadora de Brasilia decidiu que a União tem que pagar as aposentadorias dos aeroviarios brasileiros (do fundo Aerus).
A louca acatou o delirio do sindicato da categoria, dizendo que o governo brasileiro é responsavel pela incompetência do tal fundo em pagar as (muito gordas) aposentadorias de seus associados e deve, assim, cobrir o rombo!
Fico arrepiado de indignação! Como pode tal coisa, tão longe do razoavel? Sera total incompetência ou pura ma fé oriunda de corrupçao dessa desembargadora??
Sera que essa mulher consegue imaginar, por exemplo, de onde vira esse dinheiro?
Caso eu esteja louco e essa juiza tenha juizo, todos no Brasil podem agora processar o governo (e devem ganhar!) pela propria falência pessoal ou empresarial...

22 juin, 2006

combate à corrupçao

O Instituto Ethos lança hoje um denominado 'Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção'. Isso é uma das respostas da sociedade 'organizada' contra o grau de corrupçao presente atualmente na sociedade brasileira, especialmente na relaçao com o Estado e suas instituições.
A pagina 3 da Folha de SP de hoje traz dois artigos sobre este Pacto, um do Ethos e outro da Transparência Brasil. O segundo mostra que, embora o compate à corrupção seja necessario e desejado, o Pacto em si é timido e tolo, podendo inclusive, servir para encobrir a corrupçao das empresas mais mal intencionadas, afinal, somos o pais da mentira, onde o que importa é a imagem...
Dada a situaçao atual, com a provavel reeleiçao dos bandidos-mor, levantar a questão da corrupção para que mais alguns comecem a pensar a respeito ja é louvavel.
Que o resultado futuro seja de melhoria, porque a coisa esta feia!

Mais do medo: Calligaris

A coluna de hoje do C Calligaris na Folha de SP fala dos "Revolucionarios Silenciosos". Silenciosos, pelo medo! O recorrente MEDO humano, que inibe o pensar e sobre o qual o Calligaris gosta de tratar.
Ele mostra e exemplifica as consequencias do 'turismo revolucionario', aquele que hoje leva VIPs para Caracas, mas o mesmo que levou muitas figurinhas faceis à URSS - para citar um exemplo da amplitude desse turismo, varios dos petistas da minha cidade (João Monlevade, 70mil habitantes no interior das Minas Gerais) passeavam por diversos paises do leste europeu e da URSS nas décadas de 70 e 80.
Pois bem, na coluna de hoje o Calligaris comenta o livro de memorias de uma destacada revolucionaria italiana (Rossana Rossanda) que consegue pensar e (agora, depois de velha) perdeu o medo e rompeu o silêncio. O mesmo silêncio que foi (e é, como o é para Cuba e tais) um pesadelo do socialismo.
Me pareceu que o espaço foi curto para o Calligaris explorar esse assunto, mas, como de costume, o texto vale a leitura e o pensar.

Paulo Mendes da Rocha

O velho arquiteto foi sabatinado pela Folha de SP esta semana. Embora nao tenha tido acesso à integra do que aconteceu, alguns trechos estao disponiveis no site do jornal, e posso comentar alguma coisa... Apesar de ser dificil de entender o que diz o cara (com suas péssimas construçoes de frases), ele tangencia conceitos interessantes.
Ele cutuca a sociedade brasileira quando critica a exclusão social e a segregação urbana tão disseminados pelo pais, e que estão relacionadas com nossa falta de liberdade e segurança. Comenta sobre favelas, shopping centers, cidades...

Ele também abusa da sua parcialidade (emotiva?) para criticar coisas como a avenida Paulista ou aprovar o governo petista, dentre outras.

18 juin, 2006

Quadrado Magico da Fiesp

Sai publicado hoje artigo na Folha de SP assinado pelo presidente da Fiesp contra o retardamento economico brasileiro.
Sabiamente, ele (ou quem gerou o artigo) apela para uma linguagem facil para a brasileirada (sobretudo agora em época de Copa do Mundo): o futebol. Para ser didatico (além de irônico e incisivo), o autor faz uma boa comparação entre o desempenho no futebol e o desenvolvimento do pais.
Em linhas gerais, o texto mostra, de um lado, a criatividade para inovar e tirar o maximo proveito dos recursos disponiveis em cada época no futebol, e de outro lado, a ausência criativa para o aproveitamento dos excelentes recursos que o Brasil dispõe. O recado para o governo é sutil: embora tenhamos em varios quesitos os melhores recursos, em 2005 conseguimos 'ganhar' apenas do Haiti no PIB!
Dado o nosso atual presidente (e a maioria dos seus 'companheiros'), talvez essa seja a linguagem possivel para fazer o recado chegar nos principais destinatarios. ;-)
E eu, aqui, apesar de lamentar o malogro do meu pais, não posso deixar de dar uma risadinha do destino dos empresarios brasileiros que apoiaram louca e irracionalmente o PT nas eleições de 2002, justamente apostando no 'milagre' do crescimento...

04 juin, 2006

desistimos?

Esta fazendo um ano que estourou o escândalo do mensalão petista, e estamos sem respostas à altura. Toda a podridão que apareceu é aceitavel para os brasileiros??? As pesquisas de intenções de voto indicam que seremos 'premiados' com a reeleição do Lulla! Eh possivel isso???
Saiu hoje artigo do Gustavo Ioschpe comentando a questão na Folha de São Paulo, disponivel aqui para assinantes. Para os outros, copio abaixo:

O ano em que desistimos

O que beira as raias do chocante é que a sociedade brasileira tenha aquiescido e aquietado-se. Que tenha aceitado mansamente escândalo depois de escândalo

GUSTAVO IOSCHPE
ESPECIAL PARA A FOLHA

O MAIS surpreendente destes doze meses em que começamos a chamar parlamentares de "mensaleiros" não é que uma fatia aparentemente expressiva de nossos deputados recebesse uma mesada para votar com o governo. Nem que os deputados achassem que podiam se inocentar desse crime através da confissão de outro (caixa dois). Nem que eles efetivamente tenham sido inocentados. Nem que um deles tenha conjurado para sua absolvição uma trama certamente demasiado rocambolesca para ser aceita no mais mexicano dos folhetins: a esposa foi ao banco pagar a conta da TV a cabo e saiu de lá com 50 mil reais. Nem que o escárnio tenha chegado a tal ponto que uma congressista tenha se sentido suficientemente à vontade no ambiente prostibular que se tornou o belo prédio de Niemeyer para desfilar seus desajeitados passes do funk da sem-vergonhice. Nem que recursos de empresas estatais fossem uma fonte do numerário usado para alimentar os mensaleiros, configurando um novo e tenebroso nível de estelionato no país, em que os recursos do Estado são utilizados para irrigar um partido a chegar e manter-se no poder, solapando a isonomia que é a essência do regime democrático. Nem que o marqueteiro do presidente tenha reconhecido, aos prantos, que recebeu dinheiro no exterior -uma única vez!- para realizar a campanha política de petistas. Nem que depois tenhamos descoberto que aquela não havia sido a única. Nem que, do "núcleo duro" do governo, um membro tenha sido cassado e indiciado por suspeitas de chefiar a máfia, outro tenha sido forçado a pedir demissão e tenha também sido indiciado por abiscoitar propinas em seus tempos de prefeito e o terceiro tenha abandonado seu ministério por negócios escusos com um familiar. Nem que um ministro da Fazenda tenha entrado em conluio com o presidente do segundo maior banco público do país para violar o direito à privacidade de um caseiro e divulgar seu sigilo bancário à imprensa. Nem que o procurador-geral da República tenha oferecido denúncia contra 40 das mais altas cabeças da República por formação de quadrilha e tenha chamado o partido ora no poder de "sofisticada organização criminosa". Nem que dinheiro público tenha aparecido numa cueca em um detector de metais de um aeroporto. Nem mesmo que o nosso presidente -aquele que nomeou e chefiou toda a gangue e que tem ao seu dispor todo o aparato de informação e inteligência das forças de investigação civis e militares- consiga se manter no cargo única e exclusivamente por alegar desconhecimento de tudo e todos que estavam à sua volta e que foi traído. (Em outros países, desconhecimento, autismo e ingenuidade desqualificam a pessoa para o exercício da Presidência. No Brasil, tornam-na favorita para a reeleição.)
Não. Tudo isso é grotesco, é revoltante, é pusilânime, é roto e vergonhoso. Mas não chega a ser surpreendente porque, infelizmente, a única coisa que nos surpreende em nossos homens públicos é a correção, a ética, a honestidade.
O que é verdadeiramente surpreendente, o que beira as raias do chocante é que, envolta e soterrada por essa avalanche de esterco, enganada e vilipendiada por seus representantes eleitos e sabendo que os contos da carochinha contados por eles em sua defesa não passavam de empulhação da grossa, a sociedade brasileira tenha aquiescido e aquietado-se. Que tenha aceitado mansamente escândalo depois de escândalo. Que tenha relevado aquilo que povos sadios teriam visto como acinte. Que num país de 180 milhões de almas penadas não tenha havido um partido, um sindicato, um grêmio estudantil, uma ONG ou uma roda de bocha sequer com a disposição de ir às ruas, de convocar uma passeata, de jogar um mísero tomate ou dar um grito solitário contra essa patifaria que nos confisca a nação.
Com o silêncio, tornamo-nos cúmplices. Por que essa inação? Será que as duas décadas de miasma econômico nos deixaram suscetíveis a acreditar que um crescimento econômico que só superou o haitiano é realmente uma boa performance? Nos vendemos por tão pouco? Ou será que a fadiga com o sistema político chegou ao ponto da total indiferença? Será que depois de apostarmos na redemocratização, no presidente-carateca, no presidente-sociólogo e no presidente-operário e vermos nossas expectativas cada vez mais frustradas finalmente abandonamos o barco? Não sei. O certo é que esses últimos doze meses, esses sombrios e desalentadores doze meses marcam a nossa desistência. Lavamos as mãos.
Daqui pra frente nossa democracia será como aqueles casamentos em que os cônjuges mal disfarçam sua infidelidade. Permanecem casados por um misto de conveniência e obrigação, mas ambos sabem que nenhuma das partes pode ser confiada, nem tampouco que cabe qualquer indignação frente aos abusos e omissões do outro. Os eleitos nos enganam e os eleitores tentamos burlar leis, sonegar taxas e tratar a urna como penico, e ficamos acertados que ninguém denunciará as impropriedades do outro.
Estamos num grande e árido deserto, sem ninguém que possa nos conduzir pelo mar vermelho-lama que cada vez ocupa mais espaços. Talvez um dia nosso povo chegue à Terra Prometida, mas não será nesta geração.


GUSTAVO IOSCHPE , 29, mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (Estados Unidos), é autor de "A Ignorância Custa um Mundo - O Valor da Educação no Desenvolvimento do Brasil" (Editora Francis, 2004) e "Vestibular Não é o Bicho" (Editora Artes e Ofícios, 1996). Foi colaborador da Folha nos cadernos Fovest (1996-1997) e Folhateen (1997-2000).

01 juin, 2006

nosso (des)Governo

O Presidente brasileiro, aquele que não da entrevistas mas adora falar, quase sempre diz bobagens, e por isso ja ha tempos desisti de ler seus pronunciamentos. Agora seu novo ministro da Fazenda se mostra uma copia do chefe: so abre a boca para dizer bobagens! Ja cansei de ler o que diz o Manteiga sem extrair nada além do fraquissimo perfil da figura.

16 mai, 2006

terrorismo em São Paulo

Estamos todos chocados com o terrorismo do crime em São Paulo.
Este é mais um capitulo da violência endêmica na sociedade brasileira, que ja tratei diversas vezes neste blog.
Para que a coisa não se repita, as policias terao que agir. Não basta neutralizar este comando terrorista do tal PCC, é preciso eliminar as causas da organização e impedir o aparecimento de outras lideranças do crime.
Nada como um terrorismo no quintal para nos lembrarmos de Guantanamo do Bush... Mas a realidade é que precisamos resolver a questão de forma positiva, sem recair nas facilidades da supressão do estado de direito.

A imprensa (como de costume) fatura alto com as bobagens publicadas. Agora tenho que ver até sociologo frances dizer que a causa é a exclusão social no Brasil! (o mesmo foi repetido pelo Dimenstein hoje). Eu pediria para eles relacionarem disputa de poder nos presidios com exclusão social...

Essa exclusão social brasileira é escandalosa e vergonhosa, mas resumir todos os problemas brasileiros a isso é uma mistura de ingenuidade com ma fé. Embora parte da violência brasileira seja conseguência da exclusão social, a meu ver a maior causa dessa violência independe da desigualdade social, e sim é uma questão cultural, esta disseminada nos costumes. Outros textos meus sobre a questão podem ser acessados a partir daqui e daqui.

08 mars, 2006

carteirada brasileira

Dois passos à frente, e um a atrás :-)
Como podem ainda existir essas coisas!
Para que não viu o que aconteceu, está em todos os jornais a carteirada que o comandante do Exército brasileiro (um tal de general Albuquerque) deu para embarcar num voo da TAM com a mulher, o que foi relatado no domingo pelo Elio Gaspari (Folha e Globo). O avião deu meia-volta na pista, voltou para a área de embarque e 'expeliu' um casal de passageiros para dar lugar ao casal-carteira.
A cobertura da Folha de SP de ontem foi boa e, apesar da tentativa do 'cala-boca' oficial, a coisa foi parar na Comissão de Etica do governo federal e na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara.
O 'cala-boca' oficial contou com declaraçoes do bunda-mole do seu chefe (José de Alencar), dizendo que o cara 'é gente de bem'. Triste ouvir isso! Contou ainda com mais uma carteirada do próprio general na direçao da TAM para que ela fizesse mea-culpa, e mais alegações do réu de que ele viajava como pessoa fisica.
Fico pensando como seria isso: carteirada de pessoa fisica! Hahaha!
Como disse a Eliane Castanhêde na Folha de ontem, a coisa foi tão feia, que o Exército não teve coragem de se pronunciar a respeito!
Ainda esta faltando o idiota general cair do posto, claro, mas não sem antes pagar um grande mico :-)

vacas sagradas da opus dei

Esses religiosos são abusados ao extremo!
Me atenho aqui aos católicos, mas a afirmação anterior é valida para todos.
Nao é de hoje que esses bandidos da tal de 'Opus Dei' estão aprontando.
Na Cidade Universitária em São Paulo eles têm atuação constante e incisiva para conseguir a cada ano arregimentar alunos e até professores (na minha época tinha pelo menos um professor da Elétrica que era dos deles)! Nas nossas conversas de amigos eram clássicas e cômicas as abordagens dos seus seguidores (embora eles conseguissem, como ninguém, tirar o Rodrigo do sério...).
Dia desses vi um site de ex-componentes que conseguiram sair dessa organização no Brasil (nada interessante, mas quem quiser, procure no google, não vou fazê-lo agora).
O pessoal do Observatório da Imprensa (link no menu à direita) tem batido no lobby desses bandidos e mostrado seu poderio na mídia brasileira, especialmente o Alberto Dines (seu último artigo e links para diversos outros correlatos podem ser acessados por aqui). O A. Dines os definiu como "um projeto de poder político-financeiro-midiático" no seu ultimo artigo. Antes, ele (e outros) ja tinham mostrado as ligações da Opus Dei com a maior parte da grande mídia brasileira, ai incluso, entre outros, os grupos Abril, Globo e Estado de SP (aqui), juntamente com um tal de 'programa Master de Jornalismo' para editores e chefes de redação (aqui) que existe no Brasil patrocinado pela mesma Opus Dei.
Curioso ainda é a ligação do governador Geraldo Alckimin com esses caras, ou seja, parece que a figura não passa de um 'numerário da obra', como eles se dizem.
Na Folha de hoje tem um artigo assindo por um dos 'donos' dessa organização e caçique do Vaticano falando das mulheres no seu dia (8/março), mas não tive paciência para lê-lo.

28 février, 2006

carnaval parisiense

Para quem estiver curioso em saber como se passa o carnaval em Paris, entre aqui.

Em plena segunda-feira de carnaval as ruas estavam cheias de gente, mas o 'desfile' era menos circo e mais dramatico que o que se passava na capital bahiana ou qualquer outra cidade brasileira no mesmo dia.
Diferentemente da alegria carnavalesca, aqui (onde nao existe carnaval) as pessoas protestavam contra o sequestro e morte de um jovem. Embora houvesse o agravante do ato ter sido cometico contra um judeu (e portanto, a discriminação), é nitida a diferença para o Brasil, onde os sequestros e os assassinatos são banais: enquanto meus conterrâneos toleram bem a violência e vão se divertir, os franceses estão indignados e não a aceitam!