05 février, 2007

Töji

Töji - "Avant-garde et tradition au Japon" est le nom de l'exposition que le Musée National de Céramique à Sèvres consacre à une retrospective de la céramique japonaise moderne.
Pour savoir plus sur l'exposition ou sur les artistes, allez voir la page officielle du musée.
Elle était, pêut-être, la meilleure exposition d'oeuvres en céramique que j'aie vue!
Il y avait des oeuvres magnifiques. Le scénario est simple et beau (avec des bambous, du papier et de la corde), ce qui fait un grand contraste avec les autres salles du musée (avec du 'luxe' en velours partout).
Il a été étonnant de voir que la plupart des fonctionnaires du musée étaient des femmes d'origine indiènne.
Ce Musée se situe à côté du Domaine Saint-Cloud et, donc, nous avons profité du beau temps qu'il a fait hier pour y aller en vélos.
Etant donné la politique française de permettre des photos dans les musées, je peux vous montrer quelques unes:

des plats Töji, 4/2/2007
Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com


des immeubles Töji, 4/2/2007
Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com


vue de l'exposition Töji le 4/2/2007
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le couple Töji, le 4/2/2007
Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com


un chef d'oeuvre Töji, 4/2/2007
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des oeuvres sur des tables en papier, Töji, 4/2/2007
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des pots Töji, 4/2/2007
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sans honte, Töji, 4/2/2007
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oeuvre Töji, 4/2/2007
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un repas naturel, Töji, 4/2/2007
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plat bleu Töji, 4/2/2007
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au Musée National de Céramique le 4/2/2007
Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com

02 février, 2007

gaspillage d'énergie

Hier nous avons éteint la lumière pendant notre cours de français à 19h55 pour participer à la manifestation contre le réchauffement climatique.
Le bilan provisoire de ce mouvement (ici) dit que la demande d'électricité a baissé d'un peu plus de 1% en France. Super! Beaucoup de Français ont participé, ce que signifie qu'ils commencent à être sensible à cette question!
On voit ici - comme ailleurs - que le climat est fou: au lieu des températures de environ 5°C, il fait environ 11°C ces jours ci; on voit des arbres en début de floraison en plein hiver! Ces faits rendent les gens plus sensibles à la question de l'environnement...
Je vis dans un pays où la plupart des gens ne font guère attention aux consommations d'énergies. S'il fait chaud à cause du chauffage, on ouvre les fenêtres; La capitale porte aussi le nom de 'ville des lumières', aussi à cause de la quantité incroyable d'eclairage dans les rues et des bâtiments. On roule dans des voitures "musées" qui dépensent beaucoup d'essence et poluent beaucoup. Les motos, qui sont le moyen de transport le plus poluant, sont partout, et pire: elles sont vues avec sympathie parce qu'elles occupent peu d'espace.
Bref, à mon avis, la raison la plus importante des gaspillages d'énergies est leur prix! En géneral les énergies coûtent peu en Françe, ce qui est pervers pour deux raisons:
  1. énergies bon marchés incentivent peu les gens à faire des économies;
  2. en étant bon marchés, elles empêchent des technologies plus efficientes (et naturalement plus chères au début) de voir le jour.
Il faut changer la culture des Français vis à vis de la préservation de l'environnement. Mais sans toucher les pris des énergies, cette tâche va fracasser.
à la fin je dois dire que si je parle de la France c'est parce que c'est l'endroit où je vis actuellement, mais ces réflexions sont valables pour tous les pays, unes plus que des autres!
Je reviens à ce sujet...

25 janvier, 2007

453 anos de São Paulo

A cidade de São Paulo faz aniversário hoje. O meu desejo é que os paulistanos (os de fato paulistanos) façam dela uma cidade muito melhor para se viver.
Sei que essa tarefa é difícil, porque os interesses pessoais são muitos e conflitantes, mas São Paulo tem essa possibilidade. Se o desafio é gigante, o potencial também o é: nenhuma outra cidade brasileira tem esse capital humano.
O meu amor por essa cidade é consequência do maravilhoso acolhimento que tive nos anos em la que vivi. As pessoas que encontrei e com as quais convivi em São Paulo são responsáveis por todo o carinho que tenho por essa cidade.
Para quem não leu, copio um artigo (daqui) da Folha de SP de hoje, que não fala de virtudes, mas de defeitos da cidade. Mais que críticas, são incentivos para se fazer uma cidade melhor!

Metrópole de aço

FERRÉZ

Mesmo que eu nunca tenha usufruído das suas posses, que você não tenha dado direitos iguais a seus filhos, ainda assim, feliz aniversário

MESMO QUE eu nunca tenha usufruído das suas posses, mesmo que você não tenha dado direitos iguais a seus filhos, mesmo assim, feliz aniversário.
Mãe, eu não te culpo. Faltou a maldade necessária pra vencer. Faz mó cara que não escrevo, acho que, com todo seu poder, você entende, pois, no final, toda rua de São Paulo, se não é contramão, é sem saída, pelo menos pra nós, que, além do poder público, ficamos à mercê do poder paralelo.
Sou o menino que passa carregando a carroça ao lado de um carro importado, mais caro que toda minha vida de salário, e estou indo pra esquina onde os rostos manchados por uma vida dura fazem bifurcação.
Sou o menino que assopra a fumaça do baseado como as fábricas fazem durante todo o dia e sou seus funcionários lá dentro, trancados, na maior parte do tempo mudos e surdos.
Corro pelo trânsito caótico de quem num tem tempo pra abaixar o vidro e perceber que ainda estou vivo, desço a ladeira da indignação pra chegar num bairro alagado, mas a culpa é nossa, mesmo, na hora do voto não fazemos o saneamento básico. Sou a idosa que vive de pegar lata vazia pra sustentar os dois netos.
Como nunca fui aposentado, fico a maior parte do dia imaginando o que é viver com o salário de um deputado.
Também imagino uma bomba que explode e chega a causar efeito no prato vazio de um pai sentado no lixão, olhando o filho que nunca ri.
Você sabe que tem filho seu que dorme ao relento, mas, ainda assim, o terminal de ônibus diz pra não dar esmola, então vamos distribuir pistolas.
Pobre gente que, na terra da garoa, tenta ver algum sentido na vida. Passo com minha caixinha de chiclete na rua de um ladrão de gravata que ora e de um policial mal remunerado que chora quando vê que seu igual é um trabalhador sem expressão e sem futuro. Vejo o concreto e, perante as famílias sem o básico na avenida de tantos fins de semana trágicos, eu sou apenas mais um rapaz comum.
Na metrópole de aço, colecionador de pedras é o que todos nós somos. Sou a mãe que reclama da falta de emprego e que, quando percebe que o filho sem rumo só tem a rua como recurso, liga a TV e viaja na novela.
Sou o evangélico com o bolso vazio e muita fé, que olha os imensos cartazes dos bancos e pensa no diabo.
Continuo a caminhar, vendo as guerreiras se prostituírem bem perto da av. Oscar do luxo, onde a elite branca brinca de Nova York perante o carro blindado sempre estacionado na zona sul. Me enfio por onde começa a rua do desespero, no Alto de Pinheiros, onde um mendigo morreu pra não incomodar o dono da mansão.
Sou o alcoólatra que antes morava na rua sem nome e no barraco sem número, expulso pelo verdadeiro proprietário, dono de algum condomínio fechado -que, da penitenciária, só tem uma diferença: os moradores pensam estar livres.
Mãe, você oferece tanta coisa que sei que não é pra mim, então por que você mente assim, mãe? A senhora sempre cozinhou na mesa farta queijos, vinhos, pães, mas por que, mãe, só alguns podem entrar nessa casa? Não adianta ser a capital da fartura se essa fartura é pra uma minoria.
Mãe, você adivinhou meu destino, não tem nenhum inocente aqui, mas, me diga, por que, quando você me escreve, só me manda impostos? Seu coração não atende mais nem as emergências, não tem médicos que me curem a dor da solidão que seus prédios altos me causam.
Mãe, você é costureira e continua a fazer a colcha de retalhos, tentando, ainda que em vão, juntar todos nós num mesmo lugar e depois chamar de lar. São Paulo virou um lugar pros duros de coração, pros outros. Quem sair por último, feche a escotilha.
Mãe, num vou mentir, você ilude as pessoas de bom coração dizendo que há oportunidades na sua casa, mas todos sabemos que o preço é alto. Quantos eu já vi tirando seis anos num cadeião ou mendigando por não achar emprego? Você mata os meninos e envelhece as meninas, além de esconder o que te incomoda, como os cemitérios, as prisões, os doentes mentais.
Acho que você faz isso comigo também, mãe, você me isola porque não pode me dar o que prometeu.
Quando você me mostrava pras tias, elas me apertavam, me beliscavam, me mordiam. Por que machucamos o que admiramos? Na hora que preciso, eu não tenho o mesmo tratamento que meus primos. Quando teve aquele desabamento, eles ficaram em hotéis. Por que tenho que ficar com os outros num pátio de colégio?
Isolado aqui na minha aldeia, talvez eu nem seja um filho legítimo, afinal, só sei que meu pai é baiano. Talvez eu seja somente um bastardo, mas, mesmo assim, feliz aniversário. Do seu filho, Periferia.


FERRÉZ, 31, rapper e escritor, é autor de "Capão Pecado", romance sobre Capão Redondo, bairro na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Manual Prático do Ódio"

13 janvier, 2007

Noël à Aachen

Et voilà nos dernières photos des vacances de Noël à Aachen.
Nous avons passé dix jours avec la famille, les amis et quelques achats pour profiter des offres après Noël.


promenade avec Inge et Joseph pour respirer un air frais dans une fôret à Aachen, le 26/12/2006. Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com


fin de soirée à la sortie du pub espagnol avec Sylvia, Ulla, Winnie, et Jörg, au centre ville d'Aachen, le 28/12/2006.
Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com


promenade en fôret avec des amis aux alentours d'Aachen, le 29/12/2006. Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com


petit déjeuner avec David, Gaby et Georg à Aachen, le 30/12/2006.
Copyright © alissonjunqueira@hotmail.com

12 janvier, 2007

dez pra uma

Ontem vi uma boa reportagem sobre uma bizarra questão social: em algumas regiões da Índia, a proporção de homens para mulheres chega a 10:1!
Isso mesmo: dez homens pra uma mulher! E o motivo não é que seja algo como Serra Pelada, onde tinha muitos garimpeiros para cada prostituta. Pelo contrário, são regiões do país com cidades 'normais'! Consequência: tráfico de mulheres.

Eu sabia que na China rural a mortandade de fetos femininos é grande, e a origem do problema é que pode-se ter um filho apenas. Mas porque preferem o filho homem? Isso não sei.

E qual a motivação dos indianos, que se reproduzem à vontade, para chegar a essa situação?
  1. o dote que a família da mulher paga quando ela se casa, que é proporcional ao seu patrimônio.
  2. a mulher deixa a sua família e passa a pertencer à familia do marido.
Ou seja, casar uma filha significa ficar mais pobre e 'perder' um membro da prole. A família do marido, além de receber o dote e a mulher, garante seu 'asilo': a jovem vai cuidar dos sogros na velhice. Um detalhe suplementar: os casamentos são arrajados pelos pais.
Tudo isso foi agravado depois dos anos 70, com a ultrassonografia que permitia saber o sexo do feto. Caso seja mulher, a mãe aborta sobre forte pressão da família do marido. De dois anos para cá, o médico é proibido de dizer o sexo do feto à paciente, e a mulher é proibida de abortar. Mas... dá-se um jeitinho, né? Afinal, a corrupção faz parte da 'natureza humana'.

Agora, eles tem toda uma geração de jovens... homens!

Para os pais que não conseguiram casar seus filhos homens recebendo o dote e tudo mais (atualmente, a maioria se encontra nessa situação), resta... comprar uma mulher para o filho!
Como este infanticídio não é generalizado na Índia, a alguns milhares de kilômetros de distância é possível comprar uma adolescente da sua família por uns 30€. Trabalho para os traficantes, que a revendem por 600€. E não faltam histórias de adolescentes que 'somem' dez dias após o casório: vão ser revendidas por mais 600€ na cidade vizinha.

A ironia do destino é que, nestes casos, as famílias - que mataram suas meninas para
receber futuramente um dote e uma empregada doméstica - estão pagando um dote (esses 600€ são caros demais para muitos) e ficando sem a empregada!

Acho incrível a força que uma estupidez cultural como essa possa ter sobre uma sociedade! Os pais condenaram seus filhos a viver em uma sociedade (quase) sem mulheres.
Como estará esse povo uma década mais tarde? Veremos. Isso deve ser um prato cheio para os estudos de sociologia.
Pelo menos, talvez isso seja uma solução para outro problema: reduzir a longo prazo o mundaréu de gente desse pais superpovoado ;-(